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A Importância da Mastigação Para o Desenvolvimento da Criança

Por Roberta Cruz

 

 

O crescimento orofacial se dá a partir de funções realizadas pelas estruturas da face, como a respiração, sucção, mastigação, deglutição e a fala. Se tais funções ocorrem de forma harmônica e sincronizada, a possibilidade da criança ter um desenvolvimento adequado das estruturas e/ou funções faciais é quase certa. É importante lembrar que, a carga genética dos pais também influencia nesse crescimento. Durante o ato mastigatório, trabalhamos vários músculos que são articuladores, de extrema importância e ativos no processo da produção dos sons da fala, como os músculos responsáveis pelo vedamento labial, abertura e fechamento da boca, trituração dos alimentos e a língua, um dos músculos mais ativos durante a fala e mastigação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Frequentemente, no atendimento de crianças com alterações de fala, aparece a queixa de que as crianças têm preguiça para mastigar. Essa aparente “preguiça” muitas vezes esconde uma real dificuldade causada pela falta de experiência com diferentes texturas dos alimentos em fases importantes para esse aprendizado. Inicialmente a amamentação dá conta das necessidades básicas dos nossos pequenos, mas passado o período destinado à amamentação exclusiva, a criança apresenta outras necessidades tanto do ponto de vista nutricional quanto da necessidade de amadurecer a cavidade da boca, experimentando outras texturas por meio de diferentes alimentos. Se a estimulação das funções se der de forma inadequada, com alimentação predominantemente pastosa ao longo da infância, auxilio de liquido para deglutir, uso constante de mamadeira ou hábitos orais inadequados, podem gerar consequências como a falta de harmonia do crescimento facial, deixando a musculatura orofacial flácida, influenciando negativamente nas suas funções.

 

A função que mais auxilia o crescimento facial é a relacionada com a alimentação, como a sucção e posteriormente a mastigação. A partir do nascimento dos primeiros dentes, que ocorre por volta dos seis meses de idade, a consistência alimentar pode ser alterada. Essa alteração deve passar do líquido para o pastoso e de acordo com a erupção dos dentes decíduos (dentes de leite), a alteração deve ser gradual: do pastoso homogêneo para o heterogêneo, até chegar à alimentação ‘sólida amassada’ e finalmente a introdução dos alimentos ‘sólidos’ (exemplos: carnes, pães, frutas consistentes, legumes e verduras crus ou semi cozidos, barras de cereal, entre outros). Alguns pais, muitas vezes por falta de experiência, temem pelo risco de engasgos e permanecem além do tempo recomendado amassando ou liquidificando os alimentos, geralmente quando a criança já teria condições de mastigar. Mas por que é tão importante mastigar? Além de fatores nutricionais e consequente crescimento e desenvolvimento da criança, a diversidade de alimentos e texturas oferecidos é importante também para o desenvolvimento da arcada dentária e de funções como deglutição, respiração e fala, além da própria mastigação que será tão eficiente quanto forem os músculos responsáveis por ela. A ação dos músculos mastigatórios representa um importante estímulo de crescimento para a face. Quando a criança tem tendência a um padrão facial com musculatura flácida, essa característica será potencializada se a dieta for muito macia, sem necessidade de força. Por isso, geralmente aos 6 meses, após o período da amamentação exclusiva, deve-se começar a oferecer alimentos mais consistentes: papas ralas, em seguida os purês, acrescentando-se aos poucos vegetais amassados com garfo, para que a criança receba novos estímulos orais. Quando aparecerem os primeiros dentinhos, entram em cena os pedaços de alimentos para que segurem na mãozinha e aprendam a lidar com novas consistências e a quebrar, morder, mastigar. Oferecer alimentos que a criança possa manipular com segurança e também com liberdade é fundamental.

 

Deve-se lembrar também de não atropelar etapas. Por isso, seguir a recomendação do pediatra, acrescentando alimentos e modificando as consistências, é fundamental. Cada vez mais recebemos crianças com distúrbios da fala e de funções orais cuja principal causa é ter sido privado da experiência da mastigação, do contato com alimentos de diferentes texturas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A partir daí o que se observa é uma sucessão de eventos negativos aparentes em fala e/ou comportamentos infantilizados, respiração pela boca, alterações da oclusão dentária, etc. Por isso, mastigar é um hábito a ser formado e um importante exercício natural.

 

 

Extraído:

http://www.bilboque.com.br/documentos/textos/a_importancia_da_mastigacao.pdf

http://lugardafala.blogspot.com.br/2010/06/mastigacao-um-importante-exercicio.html

 

 

 

 

 

 

Roberta Cruz Figueiredo é Fonoaudióloga formada pela Universidade Católica de Petrópolis e Especialista em Voz pelo Núcleo de Estudos da Voz, Clinvoz, Niterói- RJ.

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