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Profilaxia em Saúde Mental – É Possível?

Por Debora Sena

 

 

O foco nos Transtornos Mentais tem sido cada vez maior ao longo das últimas décadas. Novelas, revistas, filmes e livros muitas vezes os utilizam como pano de fundo para suas histórias, sendo elas verídicas ou não. Nas igrejas, pouco a pouco, a fumaça ao redor das morbidades psiquiátricas vai se dissipando e, com isso, o tabu vai dando lugar à informação. A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) levantou a bandeira da saúde mental ao considerar a Depressão como o tema do Dia Mundial da Saúde em 2017. O transtorno depressivo, inclusive, já é a principal causa de incapacitação no mundo e foi a provavelmente a principal responsável pelo suicídio recente de três pastores brasileiros.

 

Desde a última campanha da OMS, intitulada de “Let’s Talk” (Vamos conversar, em inglês) a discussão em torno do tratamento da depressão tem crescido – o que abriu uma porta para o esclarecimento sobre o tratamento de vários outros transtornos psiquiátricos.

 

O que gostaria de abordar nessas poucas linhas é sobre como prevenir o adoecimento. Uma vez que a doença está instalada, todo o tratamento disponível deve ser lançado à mão, porém, o que podemos fazer para reduzir as chances desse adoecimento? As ações para prevenção ou atenuação de doenças é o que chamamos de profilaxia. Então, qual seria a profilaxia em Saúde Mental, uma vez que não podemos, por exemplo, mudar os problemas e fatalidades que nos surpreendem?

 

Começo pelo mais simples. Para viver bem precisamos de dormir bem, comer bem, movimentar-se sempre e rir bastante. Dormir bem não é simplesmente “apagar” – o que é possível com inúmeras medicações. Dormir bem é conseguir deixar para o dia seguinte o que ainda não foi feito, é conseguir adormecer e acordar nos horários necessários e o principal: é sentir-se descansado após uma noite de sono. Entre os vilões do sono, não é só a ansiedade que leva a culpa, mas também algumas doenças como Apnéia do Sono, Bruxismo, Parassonias e, claro a Depressão. A boa notícia é que há tratamento disponível para todas elas. 

 

Por se comer bem não me refiro a dietas específicas, tampouco a restrições de grupos alimentares. Certamente que profissionais da área da nutrição/nutrologia/endocrinologia farão uma avaliação individual e uma prescrição dietética para cada objetivo. Nesse ponto me limito a dizer sobre a saúde mental: uma dieta balanceada, com frutas, verduras, grãos e legumes é uma grande parceira no bom funcionamento do corpo e da mente. Já é sabido, por exemplo, que o excesso de açúcar refinado aumenta os níveis de ansiedade e depressão a longo prazo, além de exercerem um “poder” viciante na grande maioria das pessoas. Portanto, evita-lo em excesso é um primeiro passo para uma alimentação mais saudável.

 

Movimentar-se faz alusão ao nosso terceiro ponto importante: o exercício físico. A modalidade pouco importa, mas todos devemos nos exercitar. Além do aumento das famosas endorfinas que promovem bem-estar e redução da ansiedade, as atividades esportivas são formas de prevenção para diversas doenças, como as cardio e cerebrovasculares. Então, o primeiro passo para a prevenção ao adoecimento mental [e do corpo] é se levantar do sofá.

 

Sobre rir bastante, abordo dois pontos importantes. Primeiramente: o descanso; em segundo lugar, os relacionamentos.  O descanso é necessário. Para nós, cristãos, ele é tão importante que foi praticado inclusive pelo próprio Deus, no sétimo dia. A ciência trouxe evidências dos benefícios do lazer e do descanso: redução dos níveis do estresse, melhora do sono e dos parâmetros de avaliação cardiovascular, uma vez que reduz níveis de cortisol e de pressão arterial. Mas esses momentos são ainda melhor vividos quando em companhia de alguém: por isso a importância dos relacionamentos. De preferência os saudáveis. Um estudo longo sobre felicidade, conduzido pela Universidade de Harvard, concluiu que pessoas que vivem felizes por mais tempo são aquelas inseridas em relacionamentos saudáveis. As características desses relacionamentos serão abordadas em outro artigo, devido à sua extensão e importância.

 

O último ponto, e quiçá o mais importante, é a espiritualidade. Para nós cristãos pode se resumir a simplesmente frequentar uma igreja, mas não deveria. Nesse ponto incluo sim esse fato mas ele não somente. A é uma das grandes protagonistas. Ela é tão importante que foi tida como um dos fatores de proteção ao suicídio em pesquisas. A fé traz a esperança de um mundo porvir, traz a crença de que somos cuidados por um Deus muito maior, traz propósito para nossa existência. A fé deve ser nossa arma diária contra a ansiedade.

 

Aqui me sinto obrigada a denunciar um dos grandes gatilhos para doenças mentais entre os cristãos: a falta de perdão. Sobre o perdão precisaríamos de muitas linhas, então também deixo para um próximo artigo. Mas me limito a dizer que quando guardamos muitas mágoas, nos entulhamos de lixo emocional e não nos permitimos a viver em liberdade, uma vez que estamos agarrados ao passado e às dores por ele causadas.

 

Portanto, a profilaxia da saúde mental é possível, porém não é feita por um caminho fácil. Precisamos de persistência e esforço diário para nos mantermos com um coração alegre e livre. Vamos tentar?

 

 

 

 

 

Débora Costa Sena Pereira Cordeiro é Médica Psiquiatra, formada pela EMESCAM, com especialização em Psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria da UFRJ (IPUB-UFRJ), mestranda em Saúde Preventiva pala UFES.

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