TV PIBCI

Ensinando a Palavra


12.12.2017

Teologia do Deixar

 

 

Mateus 19.27-30

 

Então Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que nós deixamos tudo e te seguimos; que recompensa, pois, teremos nós? Ao que lhes disse Jesus: Em verdade vos digo a vós que me seguistes que na regeneração, quando o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, sentar-vos-eis também vós sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E todo o que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna. Entretanto, muitos que são primeiros serão últimos, e muitos que são últimos serão primeiros”.

 

 

Introdução

 

Para seguir a Cristo, temos que deixar muita coisa. A Bíblia diz que “iam com ele grandes multidões, e Jesus, voltando, disse-lhes: Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não leva a sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo… todo aquele dentre vós que não renuncia a tudo quanto possui não pode ser meu discípulo” (Lc 14.25-27,33).

 

Jesus deixava as coisas claras, mas nem sempre isso acontece hoje. Então, quando pessoas que decidiram se tornar cristãs começam a enfrentar dificuldades ou a sofrer perdas, ficam confusas e magoadas. Elas pensam que há algo errado, mas na verdade o que está acontecendo é o que Cristo previu. Ao longo das páginas da Bíblia, encontramos uma verdadeira Teologia do Deixar.

 

 

1) EXEMPLOS BÍBLICOS DE DEIXAR

 

Abraão deixou sua terra a fim de obedecer ao chamado divino. De acordo com a Escritura, “pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, saindo para um lugar que havia de receber por herança, e saiu, sem saber para onde ia” (Hb 11.8).

 

Moisés deixou o palácio para estar ao lado do povo de Deus. A Bíblia diz que “pela fé Moisés, sendo já homem, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que ter por algum tempo o gozo do pecado, tendo por maiores riquezas o opróbrio de Cristo do que os tesouros do Egito, porque tinha em vista a recompensa” (Hb 11.24-26).

 

Rute deixou o seu povo para ingressar no Reino de Deus. Ela saiu de Moabe – renunciando à sua pátria, à sua parentela e aos deuses dos seus ancestrais – e escutou a seguinte bênção quando chegou a Belém: “O Senhor recompense o que fizeste, e te seja concedido pleno galardão da parte do Senhor, Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar” (Rt 2.12).

 

Os discípulos deixaram as redes para seguir a Jesus. O chamado deles foi assim: “Andando Jesus ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos – Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, os quais lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Eles, pois, deixando imediatamente as redes, o seguiram” (Mt 4.18-20).

 

Jesus deixou sua glória para vir nos salvar. Ninguém precisou deixar tanto quanto o próprio Salvador! A Bíblia diz que ele, “subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens, e achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.6-11).

 

 

2) COISAS QUE PRECISAMOS DEIXAR

 

Se tantos deixaram tanto, nós também somos desafiados a deixar algo. Nem todos precisam deixar as mesmas coisas. Mas há coisas que todos precisam deixar:

 

  1. a) Precisamos deixar nossos pecados.  Na Bíblia encontramos a seguinte exortação: “Portanto, nós também, pois que estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta” (Hb 12.1). Há algum pecado que você precisa deixar?

     

  2. b) Precisamos deixar nossas mágoas.  Deixar o pecado tem a ver com os nossos erros; deixar a mágoa envolve os erros dos outros. A Escritura adverte: “Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem” (Hb 12.15). Raízes de amargura poderão prejudicar não apenas a nós, mas também aos que estiverem ao nosso lado. É melhor deixá-las.

     

  3. c) Precisamos deixar nossas culpas. Se é verdade que os pecados e mágoas precisam ser retirados de nossas vidas, por outro lado também é fato que não precisamos carregar culpa, medo ou remorso. “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13). Se nos arrependemos, confessamos nossas faltas e abandonamos o erro, estamos perdoados. Não devemos continuar a nos culpar.

 

Deixemos os pecados, as mágoas e as culpas. Jesus disse que a porta do céu é estreita. Então, não dá para levar muita bagagem! Larguemos tudo isso para trás!

 

 

3) DIFERENTES FORMAS DE DEIXAR

 

Além dos pecados, das mágoas e das culpas, temos muitas vezes que deixar outras coisas para seguir a Cristo. Mas nem sempre essas coisas são deixadas da mesma maneira…

 

  1. a) Existem coisas que entregamos voluntariamente.  Simplesmente abrimos mão e deixamos aos pés do Senhor. É uma iniciativa voluntária. E é um excelente negócio! Martin Luther King afirmou: “Tudo o que eu tentei guardar em minhas mãos eu perdi, mas o que eu entreguei nas mãos de Deus eu ainda tenho”. Bem-aventurados são os que sabem entregar!

     

  2. b) Existem coisas que a vida tira de nós.  Nesse caso, deixar é quase sempre uma experiência traumática. Pensemos em uma pessoa que perdeu a saúde, em uma mãe que perdeu o filho, em uma esposa que perdeu o marido, em um chefe de família que perdeu o emprego. Mas não devemos nos desesperar! A vida não tem poder para nos destruir – ela apenas nos poda, para que possamos nos tornar mais fortes! Estas palavras são de Cecília Meireles: “Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira”.

     

  3. c) Existem coisas que Deus pede que lhe entreguemos.  Assim como o Senhor pediu a Abraão que entregasse o seu filho Isaque, ele pode levar-nos a renunciar a algo em nossa vida, quase sempre para depois mantê-lo ou então substituí-lo por algo melhor. É como diz o belo poema de Francis Thompson: “Tirei de ti todas as coisas, não para teu fracasso, mas para que pudesses encontrá-las em meu abraço”.

 

 

4) RECOMPENSAS DO DEIXAR

 

Eis que nós deixamos tudo e te seguimos; que recompensa, pois, teremos nós?”, perguntou Pedro a Jesus (Mt 19.27). O Mestre entendeu que aquela era uma pergunta legítima. E passou, então, a listar as recompensas do deixar:

 

  1. a) Quando deixamos coisas por amor a Deus, recebemos muito mais do que renunciamos. Jesus respondeu a Pedro: “Todo o que tiver deixado casas, ou irmãos, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna” (Mt 19.29). Temos uma vida abundante!

     

  2. b) Quando deixamos coisas por amor a Deus, herdamos a vida eterna. A dificuldade em renunciar a algo pode levar alguém a não seguir a Cristo; entretanto, aqueles que o seguem são salvos. “Em verdade vos digo a vós, que me seguistes”, disse o Senhor, “que na regeneração, quando o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, sentar-vos-eis também vós sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel” (Mt 19.28).

     

  3. c) Quando deixamos coisas por amor a Deus, vivemos com aquele que nunca nos deixa.Para termos a Cristo, temos que renunciar a tudo o mais… e ainda assim, estamos no lucro! Nada se compara ao privilégio de termos Jesus em nossa vida. E ele promete que nunca nos deixará, dizendo: “Não te deixarei, nem jamais te desampararei” (Hb 13.5). O Salvador é a nossa grande recompensa. Como escreveu M. Craig Barnes: “Mais cedo ou mais tarde, tudo o mais é abandonado por amor somente àquele que nunca perderemos”.

 

 

CONCLUSÃO

 

Esta é a Teologia do Deixar. Então, é oportuno que, agora que você a conhece, faça a si mesmo algumas perguntas (e as responda em seu coração):

 

Existem coisas que eu precisei deixar? Como me sinto a respeito?

 

Existem coisas que eu preciso deixar? O que estou fazendo a respeito?

 

Lembre-se: as mãos de Deus são o melhor lugar para deixarmos todas as coisas. Deixe não mãos do Senhor – nas mãos que trazem as marcas dos pregos e da cruz, as marcas do amor de Deus por você – os seus sonhos, as suas lágrimas, as suas lutas, a sua própria vida!

 

 

Pastor Marcelo Aguiar

Igreja Batista em Mata da Praia

Vitória / ES

 

 

 

 

 

 

Sônia Mara Costa dos Santos Soares

Ministra de Ensino

 

 

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