O Pastor João Luiz está participando de uma série de entrevistas para a
Revista Comunhão, sobre o tema O FRUTO DO ESPÌRITO.
Segue a primeira Entrevista.
- A Bíblia nos ensina que “Deus é amor” (1 Jo 4.8). De que forma podemos vivenciar o amor do Pai?
Só podemos vivenciar um amor se houver intimidade, diálogo, disposição em amar. Como isso acontece de Deus para conosco? Através de Jesus, exclusivamente!
Paulo diz em Ef 3.17-19
“Peço também que, por meio da fé, Cristo viva no coração de vocês. E oro para que vocês tenham raízes e alicerces no amor, para que assim, junto com todo o povo de Deus, vocês possam compreender o amor de Cristo em toda a sua largura, comprimento, altura e profundidade. Sim, embora seja impossível conhecê-lo perfeitamente, peço que vocês venham a conhecê-lo, para que assim Deus encha completamente o ser de vocês com a sua natureza” (NTLH)
- De acordo com Tiago, fé sem amor é algo morto. Pode existir fé sem amor?
Na verdade a base do argumento de Tiago é que as OBRAS sem FÉ não serve para nada. Obviamente que para se ter FÉ é preciso que haja AMOR. Em 1Co 13.13 encontramos a máxima: “agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor”.
Há uma canção antiga que dizia que “o amor é a essência de Deus”, mas na verdade, “Deus é a essência do amor”. Para se ter fé primeiro é preciso experimentar o amor.
- Segundo o apóstolo Paulo, o amor é algo que se aprende. De que maneira podemos aprender o amor segundo a vontade de Deus?
Desde pequeno que ouvia pregações sobre a Bíblia dizendo que ela é a “nossa regra de fé e prática”. É a pura verdade. Queremos aprender mais de Deus e do seu amor? Estudemos mais a Bíblia, que é a Sua Palavra.
Ef 4.25-32
“Por isso não mintam mais. Que cada um diga a verdade para o seu irmão na fé, pois todos nós somos membros do corpo de Cristo! Se vocês ficarem com raiva, não deixem que isso faça com que pequem e não fiquem o dia inteiro com raiva. Não dêem ao Diabo oportunidade para tentar vocês. Quem roubava que não roube mais, porém comece a trabalhar a fim de viver honestamente e poder ajudar os pobres. Não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem. E não façam com que o Espírito Santo de Deus fique triste. Pois o Espírito é a marca de propriedade de Deus colocada em vocês, a qual é a garantia de que chegará o dia i em que Deus os libertará. Abandonem toda amargura, todo ódio e toda raiva. Nada de gritarias, insultos e maldades! Pelo contrário, sejam bons e atenciosos uns para com os outros. E perdoem uns aos outros, assim como Deus, por meio de Cristo, perdoou vocês” (NTLH)
- Nos dias de hoje, parece cada vez mais difícil amar ao próximo, conforme o mandamento do Senhor. O que podemos fazer para não permitir que nosso coração endureça por falta de amor?
Desde que o pecado entrou na história, sempre foi difícil amar o próximo, vide Adão e Eva, Caim e Abel, etc.
Em nosso mundo pós-moderno o que acontece é a intensidade e velocidade da informação, que nos conduz e manipula para que só nos interessemos por nós mesmos. É quando o autor Paulo Brabo fala que nós não amamos mais as pessoas, mas sim suas “competências”.
O que precisamos mesmo é praticar o amor. É como funciona o desenvolvimento dos nossos músculos. Se não os usamos, atrofia. Quanto mais amamos, mais amaremos. É exercício diário.
- Em que sentido podemos dizer que o amor nos aproxima de Deus?
Como João disse, “Deus é amor”. Se queremos estar perto Dele, o caminho é o seu próprio amor, que se manifestou em Jesus.
Algo interessante a se observar é o que o polêmico e profundo teólogo Brennan Manning registra em sua obra “O anseio furioso de Deus”. Segundo ele, a fúria da natureza não se compara com a intensidade do amor de Deus por nós.
- Quais são as características e/ou comportamentos que têm “matado” o amor nos dias de hoje?
O de sempre: egoísmo, egocentrismo, amargura, inveja, ódio, maledicências, julgamentos temerários... O que já está registrado como as “Obras da Carne” em
Gl 5.19-21
- De que maneira o amor de Deus se apresenta na vida do cristão? Como podemos percebê-lo?
É o que Paulo declarou em Gl 2.20: “vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim”. Somente através de um verdadeiro encontro com Jesus, onde nossa vida é aberta para que o Espírito Santo de Deus opere transformação e implante a Nova Natureza. O Fruto do Espírito então se desenvolve em nós e o primeiro aspecto é o AMOR!
- Como podemos descrever uma vida sem amor? Como fica um coração que não experimenta o amor de Deus?
Se estar em Deus e experimentar seu AMOR é ter FÉ, VIDA e ESPERANÇA.
Não ter a presença de Deus e Seu AMOR é viver desnorteado, em morte e desespero.
- E um cristão que busca o amor do Pai, como podemos descrevê-lo?
É como está registrado no “poema do amor”, em 1Co 13:
“4 Quem ama é paciente e bondoso.
Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso.
5 Quem ama não é grosseiro nem egoísta;
não fica irritado, nem guarda mágoas.
6 Quem ama não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada,
mas se alegra quando alguém faz o que é certo.
7 Quem ama nunca desiste,
porém suporta tudo com fé, esperança e paciência.
11 Quando eu era criança,
falava como criança, sentia como criança e pensava como criança.
Agora que sou adulto,
parei de agir como criança.
12 O que agora vemos é como uma imagem imperfeita num espelho embaçado,
mas depois veremos face a face.
Agora o meu conhecimento é imperfeito,
mas depois conhecerei perfeitamente,
assim como sou conhecido por Deus” (NTLH)
- Para o senhor, qual é a importância do amor enquanto fruto do Espírito?
O “Fruto do Espírito”, de acordo com a Doutrina do Espírito Santo, desenvolvida por John Stott, vem mais adiante no desenvolvimento do cristão, ou seja:
1- Batismo no Espírito / Recebimento do Dom do Espírito
2- Plenitude do Espírito
3- Fruto do Espírito
4- Dons do Espírito (karísmatas)
O interessante é que não amamos para conhecer Deus, mas sim, conhecendo Deus, amamos.
Podemos dividir o Fruto do Espírito, a título de estudo, em 3 tríades de relacionamento, conforme expostas em Gl 5.22,23:
1ª – relacionamento entre nós e Deus à amor, alegria e paz
2ª – relacionamento entre nós e o próximo à paciência, delicadeza e bondade
3ª – relacionamento entre nós e nós mesmos à fidelidade, humildade e o domínio próprio
Percebamos que TUDO COMEÇA COM O AMOR.
- Qual texto, ou livro bíblico, podemos buscar mais referências sobre o amor?
Na verdade a Bíblia do início ao fim é o Livro do Amor.
Desde quando Deus cria o Ser Humano à sua imagem e semelhança, quando Ele busca o 1º casal pecador, quando ele se revela ao seu povo na história, quando ele envia seu Filho Amado para morrer em nosso lugar, quando diz para amarmos uns aos outros como Ele nos amou, quando promete que estará conosco todos os dias até o final dos tempos...
É difícil dizer um texto ou livro que fale do amor, pois todos falam. O que eu posso fazer é dizer o que mexe mais comigo, e aí dentre todos, é latente João 3.16.
- O senhor gostaria de indicar algum livro sobre o Amor?
Há um livro que me marcou quando eu era adolescentes, escrito há muitos anos pelo Prof. Munguba Sobrinho: “A tríplice vitória do amor”.
Mas há outros como:
- “O anseio furioso de Deus” (Brennan Manning)
- “Aliviando a bagagem” (Max Lucado)
- “Nas garras da graça” (Max Lucado)

