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Artigos / Questão de Saúde

Cefaleia Tensional

Por Alécia Louzada

 

 

A cefaleia (dor de cabeça) é uma doença altamente debilitante. As crises podem provocar tremendo impacto na vida do paciente. E muitas vezes esta dor pode estar relacionada à boca. A dor de cabeça é um dos sintomas mais comuns nos problemas de ATM.

 

A ATM è abreviatura da “Articulação Temporo Mandibular” que se situa á frente do ouvido e é responsável pelo movimento da boca. Esta articulação é uma das mais complexas do corpo humano, portanto qualquer dano nessa área pode resultar no deslocamento do disco, da mandíbula, ou de ambos.

 

As dores de cabeça provenientes das disfunções de ATM, em geral, são dores nos músculos que envolvem a cabeça, não são propriamente de cabeça.

 

Como a articulação temporo mandibular (ATM) é responsável pela mastigação, o tensionamento exagerado da mandíbula causa uma dor que irradia a região do ouvido, cabeça e também da coluna.

Além de causar dores de cabeça, podem causar tonturas (chamadas de labirintites), aparecimento de zumbidos, dores próximas ao ouvido e torcicolos; levando o paciente a procurar profissionais de diversas áreas, (como otorrino, neurologista, ortopedista, entre outros). Isso ocorre devido à proximidade da articulação e os músculos que participam da mastigação, com diferentes órgãos do corpo humano (como o ouvido e o pescoço, por exemplo). As tonturas também chamadas de labirintites são originadas, em grande parte dos casos, devido a um ligamento que está em contato com labirinto e um músculo, que é tracionado quando ocorre um desequilíbrio na musculatura da ATM, ocorrendo devido essa tração, uma sensação de perda do equilíbrio ou tontura, muitas vezes bastante acentuadas, que normalmente melhoram com o tratamento da ATM.

 

As dores de cabeça ocorrem, na maioria dos casos, devido a um desequilíbrio da musculatura da mastigação, gerando por isso, dores por uso excessivo dessa musculatura, causando dores de cabeça na região temporal e em outras regiões da cabeça, ombro e pescoço.

 

O diagnostico quando não é feito corretamente, o paciente perde tempo com tratamento impróprios. Com diagnostico errado, o paciente não tem como se beneficiar dos avanços que estão ocorrendo na área. O tratamento da ATM (ou DTM) muitas vezes é multidisciplinar sendo normalmente efetuado por profissionais de diversas áreas da odontologia.

 

PACIENTES MAIS PROPENSOS

 

• Pacientes que vivem sob tensão e ansiedade

• Pacientes com depressão

• Apresentam dentes ausentes ou tortos

• Má oclusão (classe III, classe II, mordidas cruzadas ou abertas)

• Bruxismo (range ou aperta os dentes)

• Utilizam próteses fixas ou removíveis

• Hábitos orais inadequados (roer unha, pressionar a língua contra os dentes, mastigar alimentos de um único lado, mascar chicletes)

• Respiradores bucais

• Crianças hiperativas

• Maus hábitos posturais (anteriorização da cabeça e dos ombros, cifose dorsal aumentada, etc.)

• Pacientes que sofreram algum trauma acidental ou cirúrgico

• Distúrbios neurológicos

• Doenças degenerativas

• Distúrbios do sono (insônia)

• Pacientes que apresentam alterações congênitas, comprometimento circulatório ou articular sistêmico

 

 

Principais sintomas do paciente com DTM

 

• Dores de cabeça

• Estalos articulares para abrir e fechar a boca

• Tensão ou dor na musculatura cervical, pescoço, ombros e cintura escapular

• Cansaço ou rigidez na face

• Dificuldade para mastigar alimentos mais duros

• Dificuldade de abrir a boca (abre pouco)

• Irritabilidade

• Dor, pontada ou zumbido no ouvido

• Sensação de ouvido entupido

• Dores nos olhos sem causa oftalmológica

• Dentes doloridos pela manhã

• Dores de dente sem causa aparente principalmente em molares e pré-molares superiores

• Hipersensibilidade a barulho ou hipersensibilidade visual

• Dormência, calor ou rubor na face

• Edemas na região periauricular (próxima ao ouvido)

• Dores embaixo da mandíbula, refletindo na garganta como se fosse faringite.

• Sensação de nó na garganta, rouquidão

• Tonturas ou vertigens

• Distúrbios visuais

• Desordens de Dor Intracraniana

• Neoplasma, aneurisma, abcesso, hemorragia, hematoma e edema.

• Transtornos de Cefaléia Primária (Transtornos Neurovasculares)

• Enxaquecas, variantes da enxaqueca, cefaléia em salvas, hemicrania paroxística, arterite craniana, carotidinia, cefaléia tipo tensão.

 

38% dos casos de dor de cabeça crônica são causados por disfunções da articulação temporo-mandibular (ATM), isto é, da região da boca e do maxilar.

 

Essa musculatura, quando exercitada de maneira errada, pode provocar dores de cabeça fortes, além de prejudicar todos os movimentos da boca: a fala, a respiração, a deglutição e a mastigação. Além do mau uso da musculatura no desempenho dessas funções, hábitos noturnos, como ranger ou apertar os dentes, tem-se destacado como uma importante causa de dores de na cabeça, no pescoço e nos músculos da face.

 

O deslocamento de côndilo para posterior também leva a dores de cabeça por apertamento de vasos e nervos na região de zona bilaminar. E a anteriorização da mandíbula também pode levar a cefaléias por estiramento de músculos e ligamentos.

 

Quais estruturas da cabeça são mais sensíveis á dor?

 

No crânio humano existem varias estruturas que são sensíveis á dor. Por exemplo, o couro cabeludo, a calota óssea, a musculatura pericraniana, os nervos occipitais, as meninges (membranas que protegem o sistema nervoso central) e artérias que irrigam o cérebro. Essas estruturas possuem terminações nervosas que causam dor quando estimuladas, a qual se manifesta como um mecanismo de defesa para proteger o cérebro de agressões.

 

O que é cefaléia?

 

O termo cefaléia significa dor de cabeça. Ela pode ser classificada em dois tipos, de acordo com sua origem: cefaleias primárias e secundárias.

 

Qual a diferença entre cefaleias primárias e secundárias?

 

Cefaléias primárias não tem como causa nenhuma doença especifica, pois são a doença em si. Já as cefaléias secundárias são ocupadas por outras doenças e diversos fatores desencadeadores.

 

Quais são os tipos de cefaleias primárias?

 

Os principais tipos de cefaleias primárias são a cefaleia tensional, a enxaqueca e a cefaleia em salvas.

Cefaleia tensional

 

O que é cefaléia tensional?

 

Cefaleia tensional é o tipo mais comum de dor de cabeça. Caracteriza-se pelos sintomas de "peso", sem latejar, atingindo ambos os lados da cabeça toda. Costuma ser mais fraca do que a enxaqueca, podendo gerar alguma alteração de apetite, mas não ocorrem náusea e/ou incômodos com a luz ou barulho - comuns ocorrer em casos de enxaqueca.

 

Quais são as causas das cefaleias tensionais?

 

As causas das cefaléias tensionais são multifatoriais, incluindo questões genéticas e alimentares, especialmente os hábitos do jejum, do excesso de cafeína e do consumo de bebidas alcoólicas, além de sono ruim, sedentarismo e alterações de humor e ansiedade.

 

Ansiedade e depressão podem estar relacionados às cefaléias tensionais?

 

É possível observar que pessoas ansiosas e/ou depressivas apresentam maior prevalência de cefaleias tensionais. No entanto, é preciso ressaltar que indivíduos que sofrem de ansiedade e depressão também têm, frequentemente, uma rotina de sono prejudicada, vida sedentária, alimentação inapropriada e outros fatores que contribuem para a ocorrência de cefaléias.

 

Má postura também pode levar á cefaleias tensionais?

 

Os vícios posturais podem sobrecargar os músculos dos ombros e pescoço e gerar dor crônica, ocasionando a doença miofascial (caracterizada pela presença de gatilhos, pode se manifestar como um nódulo ou local de contração dos músculos. Este, quando estimulado, causa dor a distancia). Na ocorrência desse problema, é preciso fazer reeducação postural para o correto tratamento das cefaléias tensionais.

 

A cefaleia tensional frequente pode evoluir para enxaqueca?

 

Enxaqueca e cefaléia tensional são doenças diferentes, com sintomas diferentes. É sabido que a cefaleia tensional não é causa e não evolui para enxaqueca. Embora fatores psicológicos, como estresse e tensão emocional, possam desencadear tanto episódios de cefaleia tensional quanto de enxaqueca, as duas condições são distintas. No entanto, algumas pessoas predispostas, ás vezes, podem sofrer destes dois tipos de cefaleia em momentos diferentes.

 

Qual é a incidência da cefaleia tensional na população brasileira?

 

Trata-se do tipo mais comum de dor de cabeça. Estima-se que de 30% a 40% da população brasileira tem cefaleia tensional, sendo que apenas 15% deste total procura ajuda médica. A predominância do problema é no sexo feminino, ainda que seja uma incidência discretamente maior do que na população masculina. Nas mulheres, geralmente ocorre entre os 20 e 30 anos de idade. Já nos homens, a maior incidência se dá entre os 40 e 50 anos de idade.

 

Quais são os tratamentos para cefaleias tensionais?

 

Para cefaléias tensionais - episódicas e pouco frequentes - , pode-se tratar as crises com repouso, relaxamento, massagem e banho morno. Geralmente, essas dores são leves ou moderadas e não necessitam de remédios que , se empregados, podem ser analgésicos simples, como paracetamol ou dipirona.

 

Existem outros tratamentos complementares?

 

Não. A cefaleia do tipo tensional é primária, provavelmente causada por uma interação entre um sistema antinocieptivo central defeituoso a estímulos aferentes periféricos excessivos, como, por exemplo, a contratura dos músculos do segmento cefálico ou mesmo o estresse.

 

Como manter uma boa qualidade de vida em pacientes com cefaléias tensionais?

 

É preciso gerenciar o estresse, dormir bem, praticar exercícios, vigiar sempre a postura da cabeça, costas e ombros, manter uma vida sexual ativa, ter bons médicos, que façam consultas detalhadas, e nunca tomar analgésicos em mais de dois dias na semana, para não piorar a frequência da dor.

Enxaqueca ou migrânea

 

O que é enxaqueca?

 

A enxaqueca é um tipo de cefaleia primária, ou seja, a própria dor de cabeça é a doença e não existe outra patologia (como tumor ou aneurisma) causando o sintoma. As enxaquecas são classificadas em dois tipos: com aura e sem aura.

 

Quais são os gatilhos das crises de enxaqueca?

 

Os principais desencadeadores das crises de enxaqueca são fatores emocionais, estresse, ansiedade, insônia ou sono inadequado, período menstrual, alguns alimentos e o uso abusivo de analgésicos.

 

Qual é a diferença entre enxaqueca e cefaleia tensional?

 

É fácil diferenciar a enxaqueca da cefaleia tensional - o tipo de dor de cabeça mais prevalente na população. Esta, ao contrario da enxaqueca, é bilateral, de intensidade fraca a moderada e com características de aperto/opressão, alem de não ser acompanhada dos sintomas clássicos da enxaqueca, como náuseas e vômitos, foto e fonofobia.

 

Como a toxina botulínica age no tratamento?

 

A toxina botulínica tem efeito bloqueador da musculatura da cabeça, cuja contração está envolvida na gênese da dor, podendo ajudar no controle de crises em casos refratários ás medicações. É um procedimento simples e com baixo índice de complicações.

 

Problemas odontológicos podem causar cefaleia?

 

Problemas nos dentes em geral causam dor de dente ou dor facial e não cefaleia. Infecção nos dentes e estruturas anexas ou outros processos como cárie, periodontite, gengivite ou abscessos podem causar dor, mas apenas eventualmente serão responsáveis por cefaléia holocraniana. Porém, outras condições correlacionadas, como má oclusão dentaria e distúrbios da articulação temporo mandibular, podem causar certos tipos de cefaleia.

 

Quais são os motivos de cefaleias na infância e adolescência?

 

No últimos anos, a cefaleia vem se tornando uma das doenças mais frequentes em crianças e adolescentes. Em aproximadamente 90 % dos casos, a dor de cabeça é primaria, ou seja, não relacionada a outras enfermidades. O uso exagerado do computador, de videogames e da televisão, que determinam esforço visual prolongado, assim como poucas horas de sono, são os fatores apontados como determinantes. Mas, estudos destacam que as emoções negativas estão envolvidas em quase metade dos caso, seguidas pelo esforço físico, ingestão de alguns alimentos, certos odores e exposição prolongada ao sol. Vale sempre lembrar que o uso e abuso de analgésicos e outras substâncias acabam por cronificar a dor.

 

 

 

 

 

Alécia Silva Longo Louzada é especialista em Dor Orofacial e DTM pelo Conselho Federal de Odontologia, membro da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor, membro da Sociedade Internacional para Estudo da Dor (IASP), membro da Sociedade Brasileira de Cefaléia, Especialista em Ortopedia Funcional dos maxilares, Especialista em Disfunção Temporo Mandibular e dor Orofacial Mestre em Ortodontia.