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Artigos / Questão de Saúde

Fatores Genéticos e D. T. M.

Por Alécia Louzada

 

 

Disfunções Têmporo Mandibulares é sem dúvida, um dos assuntos mais controversos na área da odontologia.

 

A ATM (articulação têmporo mandibular) é descrita como a mais complexa do corpo humano, quando temos uma alteração funcional da ATM estamos diante de uma DTM (disfunção têmporo mandibular) que pode ser intra ou extra capsular, muscular e ou articular.

 

Muito se estuda sobre este assunto e a cada dia a ciência avança de forma positiva contribuindo para o entendimento e tratamento das DTMs.

 

Hoje já se reconhece a influência dos fatores genéticos na DTMs e dores orofaciais.

 

O gene é um segmento de DNA responsável por codificar uma proteína do nosso corpo. Toda proteína tem o seu gene. Esse gene pode mudar. Quando essa alteração acontece em um único nucleotídeo ou em uma única base nitrogenada e essa alteração recebe o nome de SNP (alteração em um único nucleotídeo em uma determinada sequência de DNA) esse polimorfismo é comum em pelo menos 1% da população.

 

Essa alteração pode ser uma adição, substituição ou exclusão de uma base nitrogenada. Na prática significa que essas alterações podem contribuir para a etiologia de patologias. O que temos de novidade é que agora sabemos que da mesma forma essas alterações também vão contribuir para DTM e até na intensificação dos sintomas. A genética explica a comorbidade e a refratariedade em nossos pacientes. Estudos mostram de forma inédita a associação entre TNFA-308 onde se comprova que os pacientes com DTM apresentavam 2,87 vezes mais chance de apresentar o genótipo polimórfico. Essa alteração genética já foi associada em estudos anteriores com outras patologias inflamatórias crônicas como doença periodontal, artrite reumatóide, síndrome do intestino irritado, doença de CROHN e as migrâneas.

 

A influência do polomorfismo TNFA-308 G/A não está restrita às DTMs articulares, com etiopatogenia inflamatória, mas também abrange as desordens musculares com etiopatogenia complexa, relacionada à cognição, ao stress, ao sono e à percepção dolorosa.

 

Explica-se que, quando uma lesão periférica ocorre, produz ativação da microglia no corno dorsal da medula espinhal seguida pelo influxo de Ca2+ e liberação de TNFA que se difunde modificando a excitabilidade neuronal e consequentemente a percepção da dor. Além de alterações microscópicas, o TNFA pode provocar alterações macroscópicas observadas durante exames de ressonância magnética funcional. Os alelos A do SNP TNFA-308 foram associados a um hipocampo de menor volume, sendo esse um dos integrantes do sistema límbico, que desempenha papel crucial na manutenção das funções cognitivas, na regulação do sono e na dor.

 

A genética então parece contribuir de maneira mais importante que a oclusão na etiopatogenia das DTMs e ainda vai contribuir para determinar o limiar de dor e a atividade enzimática.

 

Artigos mais antigos já demonstram que pacientes com dor orofacial apresentam níveis aumentados de metabólitos de catecolaminas e outros ainda apontam que tanto os pacientes com fibromialgia, como os pacientes com DTM apresentam atividades Beta-Adrenérgica desregulado, o que contribui para reações cardiovasculares alteradas e para maior severidade da dor.

 

A genética contribui podendo alterar a resposta opióide e estas alterações também provocam maior hipervigilância e maior ansiedade nos pacientes. E os efeitos do stress psicológico na etiologia das DTMs varia de acordo com os polimorfismos genéticos.

 

Com os estudos genéticos um campo amplo se abre para que inúmeros pacientes com DTM continuem recebendo melhora de suas queixas. A chance de sucesso esta sempre em um diagnóstico correto.

 

O tratamento pode ser multidisciplinar uma vez que as causas podem ou não serem multifatoriais, mas o diagnóstico torna-se o mais importante. Um diagnóstico incorreto, assim como em qualquer outra patologia, traz ao paciente maior demora em receber o tratamento ideal e o impede de se beneficiar com os avanços que ocorrem em estudos na área.

 

Nós especialistas, não temos como mudar a genética de nossos pacientes mas podemos mudar seus dias proporcionando maior qualidade de vida.

 

 

 

 

 

Alécia Silva Longo Louzada é especialista em Dor Orofacial e DTM pelo Conselho Federal de Odontologia, membro da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor, membro da Sociedade Internacional para Estudo da Dor (IASP), membro da Sociedade Brasileira de Cefaléia, Especialista em Ortopedia Funcional dos maxilares, Especialista em Disfunção Temporo Mandibular e dor Orofacial Mestre em Ortodontia.